Por Mais Remakes e Remasters
A importância do movimento para os jogos antigos
Ultimamente tenho me aventurado em jogos que foram lançados há muito tempo. Você já viu aqui a minha opinião sobre o remaster de Shenmue I e II. Resumo em uma palavra: obra-prima — nem tanto pelo remaster, mas por conta do jogo. No momento estou perambulando pela ilha de Shadow Moses no papel de Solid Snake no bravíssimo Metal Gear Solid. E foi aí que me dei conta de que versões atualizadas de títulos antigos deveriam ser mais exploradas pela indústria.
“Nossa, então quer dizer que você prefere jogar um game com mais de 20 anos do que ver novos títulos sendo lançados?”, vai perguntar o mais afoito dos leitores. Calma, jovem gafanhoto. É claro que estou contando os dias para colocar as mãos em Wolverine e GTA 6, por exemplo. Porém, a época de ouro da quinta e da sexta gerações de consoles — estou falando de algo entre 1994 e 2002 — está ficando cada vez mais no fundo do baú.
Os nascidos de 2000 em diante dificilmente se darão ao trabalho de emular o PlayStation ou o Dreamcast em seus computadores e, por que não, até nos celulares. E é ainda mais difícil colocar a mão no bolso e pagar uma pequena fortuna pelos consoles originais e seus respectivos jogos. Por isso, grandes obras dos videogames acabam caindo no esquecimento e só aparecem na mídia quando entram para o Hall da Fama dos Games.
Depois de passar as últimas semanas dedicando meu tempo a esses títulos, mudei de opinião. Se antes eu era o leitor afoito que só queria saber da next-gen, agora eu entendo o motivo de a indústria reviver jogos do passado. E vou além: ela poderia fazer isso mais vezes. E foi com Metal Gear Solid que eu tive a visão.
O primeiro jogo da franquia para PlayStation foi arrasador. O mestre Hideo Kojima simplesmente mudou o estilo de se fazer jogos e deu aos jogadores a chance de uma aventura cinematográfica. Tanto em estilo gráfico quanto em gameplay, enredo e personagens, MGS é uma obra de arte digna dos melhores museus. Mas — sempre tem um “mas” —, mesmo a versão da coleção mais atual ainda é a mesma lançada em 1998. E aí, meu amigo, o gamer na casa dos 20 e poucos anos está cagando e andando para o título que redefiniu a indústria. E a minha opinião é convicta: todos os amantes dos jogos deveriam, ao menos uma vez, experimentar essas joias.
Por isso sou a favor de mais lançamentos de títulos antigos em formato remasterizado — a famosa marmita. A comida é a mesma, mas está quentinha e gostosinha — e, de preferência, “remakeado”, na falta de uma palavra em português. Talvez o exemplo de maior sucesso seja Resident Evil 2. Lançado em 1998 para o PlayStation, e nos anos subsequentes para PC, Nintendo 64 e Dreamcast, o jogo ganhou vida nova em 2019 com uma versão totalmente atual.
Enquanto no jogo original, por conta das limitações técnicas da época, o esquema de câmera travada atrapalhava um pouco, a versão “remakeada” trouxe RE2 para os modelos atuais. Com visão em terceira pessoa, gráficos impressionantes e a chance de jogadores mais novos poderem sentir toda a tensão controlando Leon S. Kennedy e Claire Redfield, a Capcom cumpriu seu papel e deu nova luz ao melhor Resident de todos. Não fosse isso, RE2 estaria mofando em alguma gaveta ao lado de tantos outros jogos que jamais verão um console em suas tristes vidas.
Por isso algumas desenvolvedoras estão abrindo os seus baús para resgatar jogos como Zelda: Ocarina of Time, Final Fantasy VII, Star Fox, God of War, Max Payne e Metal Gear Solid 3: Snake Eater, por exemplo. O momento não poderia ser mais propício. De um lado temos um mercado saturado de “jogos como serviço”, títulos meia-boca que são cópias de jogos consagrados e até mesmo uma enxurrada de “games para streaming”. Do outro, uma biblioteca praticamente infinita de títulos esperando a sua vez de brilhar novamente.
A resposta para esse enigma é simples: mais remakes/remasters, por favor.


