O Penta e o PS2
Como 2002 foi um ano marcante para o futebol e os games
Há 24 anos, o Brasil vivia o seu melhor momento. Enquanto a seleção levantava o Pentacampeonato, as lojas do mercado paralelo eram tomadas pelo melhor e mais bem-sucedido console de todos os tempos: o PlayStation 2. E sim, meus amigos, eu estava lá.
Ao longo dos anos 90, tanto o futebol brasileiro como o mercado de videogames estavam alcançando o seu ápice. Em 1994, o Super Nintendo já havia chegado de forma oficial e definitiva ao Brasil. Enquanto isso, lá nos Estados Unidos, a seleção liderada por Romário quebrou um jejum de 24 anos e sagrou-se tetracampeã. Nas duas Copas seguintes, mais emoções. Enquanto em 98 tivemos que engolir a França naquela fatídica final, em 2002, com Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e companhia, vimos o Pentacampeonato mais madrugueiro da história.
Dois anos antes, a Sony havia lançado, no Japão e nos EUA, o PlayStation 2. Alguns meses depois, os primeiros modelos “importados” já estavam disponíveis na região da Rua 25 de Março. Como eu estava sem consoles no momento — o meu PlayStation havia sido furtado por meliantes que invadiram a minha casa —, percebi que o PS2 era o caminho natural. Eu só não contava com o preço do danado. Beirando a casa dos R$ 2.000,00, tive que esperar um pouco. Então, no fim de 2002, pude colocar a Operação Diamante, literalmente, na rua.
Juntei meu rico dinheirinho e lá fui eu, com mais quatro amigos, pelas ruas do centro de São Paulo à procura da melhor promoção. Acabamos parando em uma loja de algum turco. Sinceramente, eu não lembro quanto tive que desembolsar pelo PlayStation 2, mas saí de lá com o console já destravado e alguns jogos. O mais importante deles era o Winning Eleven 6. Como a Copa do Mundo já havia acabado, o jogo estava superatualizado, graças ao trabalho de alguns modders da época.
Com aquela caixa enorme em mãos, valendo mais que meus dois rins, a Operação Diamante entrou em ação. Meus quatro amigos (Perroni, Peru, Fernando e Márcio) armaram a zona segura, me rodeando enquanto eu ia no meio. Quem conhece o centro de São Paulo sabe que tudo pode acontecer; por isso, não pestanejei ao convocá-los para a missão. De quebra, lógico, todos iriam experimentar o PlayStation 2 pela primeira vez, já que nenhum deles tinha o console.
O ano de 2002, além do penta e do PS2, ainda me reservou momentos maravilhosos. Foi nesse ano que comecei a namorar a minha esposa. Olha, a coitada sofreu nesse início! Além de passar os últimos meses do ano revendo os jogos da Copa do Mundo, o restante do tempo era dedicado ao PlayStation 2. Mas, resiliente como ela sempre foi, seguimos firmes e fortes e, após 24 anos, estamos todos — nós dois e nossos três filhos — de olho nos jogos da Seleção, na esperança de quebrar o jejum do mesmo jeito que Romário e Bebeto fizeram em 1994!



