Joguei Shenmue mais de 25 anos após o seu lançamento
Sega abriu o caminho para o Mundo Aberto
Existem jogos que são obrigatórios para qualquer amante dos videogames. Franquias como Mario Bros., Grand Theft Auto e God of War são algumas das que precisam figurar em toda prateleira gamer. E, com certeza, Shenmue é um deles. Como na época eu não tinha o Dreamcast, tive que esperar mais de 25 anos por uma versão remasterizada.
Ainda me lembro com bastante vivacidade do fim dos anos 90 e início dos 2000. Beirando a casa dos 20, eu já era um pré-adulto juntando dinheiro para comprar o PlayStation 2. Porém, meu desejo era o Dreamcast. Infelizmente, o console da Sega era mais caro e mais difícil de encontrar. Já o da Sony era presença garantida em toda e qualquer loja ou barraquinha da 25 de Março. Obrigado, pirataria!
Obviamente optei pelo PS2, e a vontade de ter um Dreamcast foi ficando no passado, assim como todos os jogos lançados para o console. Marvel vs. Capcom, Jet Set Radio e Sega Rally Championship eram alguns dos que ficaram na lembrança. Finalmente, em 2026, comprei os dois primeiros jogos da franquia Shenmue numa bela promoção para o PlayStation 5, e só posso dizer que quem jogou no lançamento foi uma pessoa mais feliz.
Shenmue é perfeito em diversos aspectos: exploração, diálogos, combate, narrativa, cenários, personagens… enfim, a Sega marcou todas as caixinhas quando estava desenvolvendo o jogo. Ryo Hazuki é um dos protagonistas mais carismáticos que já conheci. Engraçado, justo e decidido, Ryo é também um mestre nas artes marciais.
Apesar de ser um jogo bem mais contido do que os títulos atuais, se não fosse por Shenmue, com certeza o mundo não estaria na expectativa pelo lançamento de GTA 6! A Sega usou toda a capacidade do Dreamcast e fez um jogo onde é possível ver todos os elementos do mundo aberto. Não, você não pode ir até aquela montanha lá ao fundo, nem roubar carros, agredir pedestres ou participar de tiroteios. Não! Shenmue respeita a cultura japonesa e, acima de tudo, as artes marciais.
Ryo quer vingança pela morte de seu pai. Apesar da simplicidade, a narrativa se desenvolve de uma forma ímpar. Normalmente eu jogo focado na história principal, passo batido por diálogos e não perco meu tempo lendo textos. Porém, com Shenmue foi diferente. Conversei com todo mundo, visitei todas as lojas, perambulei por todos os becos. É incrível como o jogo te impele a realizar todas as ações disponíveis.
Porém, tive um problema ao pegar Shenmue mais de 25 anos após o seu lançamento: eu já tinha jogado praticamente todos os games de mundo aberto! E é aí que a experiência do inédito não funciona tão bem. Eu meio que sabia o que esperar em algumas partes. O jeito foi tentar visualizar o jogador juvenil que estava preso dentro de mim desde o final dos anos 90. Lógico que anos de jogatina fizeram diferença, mas poder notar os aspectos que fizeram de Shenmue (1 e 2) um clássico atemporal ainda foi gratificante.
Sem dúvida, Shenmue é um título obrigatório. Se eu pudesse, gostaria de jogar a obra original, mas não tenho o jogo e muito menos o console. Se você se encontra na mesma situação que eu, compre a versão remasterizada. Apesar de o áudio não ter recebido um refinamento — parece que os personagens estão falando de dentro de um banheiro — e de a câmera ser truncada, atualmente essa é a forma mais fácil de participar da jornada de Ryo.
Em tempo: Shenmue recebeu um terceiro título em 2019, mas esse eu ainda não joguei; estou esperando uma promoção. Apesar dos relatos nada animadores de quem o jogou e de a Sega não ter participado do desenvolvimento, quero colocar as minhas mãos nele para finalmente conhecer o desfecho da jornada de Ryo Hazuki.



Esse é o grande detalhe de jogar um game das antigas! O que era prata da casa na época, hoje, "pode ser" mais do mesmo....já me peguei cheio de vontade para jogar algum game antigo e na hora que começou....Adeus animo! rs
Uma sugestão de game antigo para essa review....Carmageddon....mas a versão com polemicas e boicote brasileiro!