Faltam três semanas para o lançamento de GTA 6, e a máquina de hype da Rockstar entrou em rotação máxima. Só nesta semana, vieram novas imagens, uma leva de detalhes revelados pela revista Edge e, segundo o insider NateTheHate, cópias para a imprensa já circulam, com as primeiras análises previstas para 18 de novembro. O jogo chega em 19 de novembro, apenas para PS5 e Xbox Series S/X. Mas, para quem mora no Brasil, a pergunta que importa não é sobre o mapa nem sobre o balanço de Lucia — se é que você me entende. É sobre o preço: GTA 6 cabe no bolso do brasileiro? A resposta curta é: não.
Vamos aos números. A edição padrão custa R$ 449,90 na PlayStation Store e na Microsoft Store; a Ultimate, R$ 549,90. Nos Estados Unidos, US$ 79,99 e US$ 99,99, respectivamente. Com o dólar comercial a R$ 5,34 no dia 28 de outubro, os US$ 79,99 dariam cerca de R$ 427. Ou seja: o preço brasileiro é o valor americano convertido, com um troco por cima. Nada de preço regional, nada de afago para quem ganha em real. Com o salário mínimo de 2026 valendo R$ 1.621,00, a edição padrão consome quase 28% dele; a Ultimate, mais de um terço.
E não para por aí. Quem ainda não tem console precisa colocar na conta cerca de R$ 5.000,00. Videogame mais jogo: R$ 5.450,00, ou até 3,5 salários mínimos para ver Vice City na tela da sala. Pois é. O jogo que deveria ser a porta de entrada de uma geração inteira virou artigo de luxo.
Contudo, o que mais me incomoda não é o número na etiqueta. É a caixa. A tal “edição física” de GTA 6 não vem com disco: dentro dela há apenas um código de download. Na Amazon, sai por R$ 418,40 no Pix e só funciona em conta brasileira da PlayStation. A Rockstar nunca explicou oficialmente o motivo; a imprensa especula que é para evitar vazamentos antes do lançamento e, de quebra, acabar com a revenda. Como sempre, vale mais um engravatado na mão do que dois jogadores voando. Com o disco em mãos, sempre houve aquele ciclo tradicional: compra, zera, vende, troca com o amigo, empresta para o primo, abate no próximo lançamento. Sem mídia física, os R$ 449,90 viram custo cheio, sem um centavo de valor de revenda.
Não me entendam mal. GTA 6 será um fenômeno, e motivos não faltam. Segundo a Edge, o mapa tem o tamanho de GTA IV, GTA V e Red Dead Redemption 2 somados. Mas uma coisa é o jogo ser gigante; outra, bem diferente, é o preço ser justo. O valor em reais foi estipulado como se o Brasil fosse uma filial dos Estados Unidos. A diferença é que o jogador daqui recebe um salário que não tem nada de americano. E ninguém tem culpa de querer jogar o título da década no dia do lançamento; a culpa é de quem olha para o Brasil e só enxerga uma planilha em dólar.
Então, meu recado é simples: se puder, espere. Sinceramente, eu sou entusiasta demais para esperar, mas, com as análises prontas um dia antes do lançamento, segurar a emoção pode ser uma boa ideia. O jogo do Wolverine é o melhor exemplo: comprei para jogar no dia de estreia e me arrependi. Esperar pela primeira promoção é sempre a melhor tática. O jogo mais esperado da década pode muito bem aguardar mais algumas semanas por você. Cabe no bolso do brasileiro? Hoje, não. E a caixa sem disco não cabe nem na estante.



