Análise | Assassin’s Creed Black Flag Resync
O formato clássico está de volta, mas o preço assusta.
Na maioria das vezes o simples acaba sendo o mais garantido, e a Ubisoft aprendeu isso da pior maneira possível. Há quase dez anos, durante a E3 de 2017, a desenvolvedora anunciou um projeto ambicioso: Skull and Bones. A ideia era pegar tudo o que deu certo em Assassin’s Creed IV: Black Flag, aumentar o escopo e entregar um mundo aberto online de pirataria para ser jogado com os amigos. Mas não foi bem isso o que aconteceu.
Skull and Bones, carinhosamente apelidado de “eschulhambones”, lançado em fevereiro de 2024, foi literalmente um barco furado. A gana por querer fazer dinheiro fácil com os GAAS (games as a service) acabou atrapalhando o produto final. Na vontade de entregar um título “AAAA”, como disse monsieur Yves Guillemot, a Ubisoft optou pelo caminho tortuoso das cobranças por itens, skins e seja lá o que for que os jogos do gênero oferecem — quando, na verdade, os jogadores só queriam explorar os sete mares. Então, olharam para trás e viram que a fórmula do sucesso já estava lá, só esperando para ser resgatada.
Assassin’s Creed Black Flag Resync é tudo o que o fã de pirataria em alto-mar poderia querer. Nada de microtransações, longas esperas no servidor ou quedas de conexão; apenas o bom e velho Edward Kenway na atual geração. Obrigado, Ubisoft. Você fez um adulto gamer feliz e nem precisou trabalhar longos anos em um “novo título AAAA”.
Senão, vejamos: AC Black Flag Resync não precisa de servidores, não pede microtransações, não vai te derrubar se a conexão cair e — a melhor parte para alguns — você joga sozinho. O remake do jogo simplesmente marca todas as caixinhas de um título single-player. E quem jogou o original pode ficar tranquilo. A Ubisoft inseriu novas histórias, itens, animações e melhorou o lip sync, sempre mantendo aquela aura pirata que deu tão certo em 2013 quando, pasmem, o jogo chegou para PlayStation 3, Xbox 360 e Wii U.
Para quem jogou o original, uma passada pelo Caribe vai reacender aquela chama de quando os jogos eram focados na diversão do consumidor, e não na necessidade dos acionistas. E para quem passou batido, com certeza essa é uma boa desculpa para quebrar o cofrinho e investir no jogo. Infelizmente, o preço é um aspecto que vai barrar a venda do título. Apesar de a Ubisoft ter dispensado um excelente tratamento ao remake, o jogo não deixa de ser antigo. E cobrar um valor parecido ao de lançamentos atuais soa como Jack Sparrow querendo pegar todos os dobrões espanhóis.
Podiam facilmente ter diminuído o valor para o recado ser claro: “olha, gostamos dos nossos fiéis clientes e queremos manter a parceria por muito tempo”. Porém, em um momento com grandes títulos chegando — como Wolverine e GTA 6, só para ficar nos mais badalados —, Assassin’s Creed Black Flag Resync, pelo preço atual (R$ 299,90 a versão básica e R$ 349,90 a Deluxe), não parece muito interessante para alguns jogadores.
O atual momento do mercado de games também não ajuda. A falta de peças para a construção de hardwares, o aumento significativo de títulos que só querem arrancar o seu dinheiro, centenas (senão milhares) de jogos malfeitos, serviços como Game Pass e Plus sempre na berlinda, demissões de profissionais, o fim da mídia física… nem sei mais o que falar sobre isso. Nada ajuda, e ainda temos que contar com o aumento no preço dos vindouros lançamentos e nos impostos absurdos praticados em terras brasilis. Enfim, a vida do gamer brasileiro nunca foi fácil.
Assassin’s Creed Black Flag, apesar do preço, só quer te divertir. Edward Kenway é um dos personagens mais carismáticos dos games, e reviver suas aventuras com o que a tecnologia tem de melhor é um grande atrativo, principalmente se você for fã da franquia. E para quem nunca jogou, a dica é esperar uma promoção. Tenho certeza de que você vai se surpreender com o jogo, seja com a narrativa, a manutenção e o combate naval, seja para ir de ilha em ilha atrás de tesouros enterrados, ou simplesmente parar na taverna mais próxima, se embriagar com os marujos e sair cantarolando canções piratas até o sol raiar.



