Os últimos dias chamaram a atenção da comunidade gamer com o novo desbloqueio do PlayStation 5. O grande atrativo, porém, não é nem poder jogar qualquer game de qualquer plataforma sem pagar nada, mas a descoberta de que, sim, o console pode muito bem rodar jogos de PS2 e PS3 — algo que a Sony dizia ser impossível. Esse destrave não só abriu as comportas da pirataria, como mostrou que a empresa estava enganando o consumidor e que a decisão de acabar com as mídias físicas foi empurrada goela abaixo para satisfazer os engravatados.
No momento em que escrevo estas linhas, a Sony conseguiu tirar do ar o site do Overdrive — um dos programas que desbloqueavam o PS5. Porém, isso é uma verdadeira Hidra: corte uma cabeça e duas nascem no lugar. No início dos anos 2000, vimos o mesmo fenômeno acontecer com o PlayStation 2. O console só é o monstro que é por causa da pirataria. Sem o famoso “3 por 10”, o videogame mais vendido da história com certeza não teria alcançado esse patamar. A diferença é que, na época, não existia essa de mídia digital. A Sony não tinha para onde correr. Ou seja, os mares ficaram livres para uma navegação tranquila durante anos.
O tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindus… assim como o banco que foi para o além, a mídia física está tomando o mesmo caminho. A Sony, inclusive, em mais uma incursão, não cansa de salientar que tudo será encerrado em 2028. Da mesma maneira que vivi o fim dos filmes em discos, agora verei o enterro dos jogos.
Mas, como dizem por aí: “Se comprar não é possuir, piratear não é roubar”, então, que venha uma nova fase de ouro da pirataria nos consoles da geração atual. E tudo por culpa dela, sempre ela: a Inteligência Artificial.
Um programador levaria anos para realizar um processo de engenharia reversa para fazer rodar os jogos de PS5 no computador, por exemplo. Mas, com a IA, esse problema ficou para trás. Em questão de minutos, o programa reconhece todos os zeros e uns e simplesmente consegue emular — ou até mesmo rodar nativamente — um jogo em praticamente qualquer máquina. E, no caso do PlayStation 5, consegue fazer o console reconhecer discos originais (e em alguns casos até os alternativos) de PS2 e PS3. O PS1 ainda fica um pouco para trás porque a arquitetura era em CD, e não DVD/Blu-ray. Mas com certeza esse dia está perto.
Assim como no início do Século XXI, quando a Sony não tinha controle dos jogos que eram lançados, estamos de volta à mesma situação. A diferença é que agora a companhia quer, de qualquer maneira, empurrar o formato digital. Eu gosto do formato digital. É muito cômodo você ligar o videogame, comprar e jogar no mesmo momento. Mas, mesmo assim, há pessoas que preferem o modelo antigo, seja para colecionar ou para ser “dono do jogo”. Só que a Sony está cagando e andando para essa parcela.
Pois bem, então está na hora de virar esse tabuleiro. Quero ver uma explosão de novos programas que destravem todo e qualquer console. Quero ver as grandes companhias correndo feito baratas tontas. Quero ver os engravatados com caganeira. Quero ver a IA trabalhando cada vez mais em prol dos jogadores. Seria muito bem-feito. Afinal, não são essas mesmas empresas que estão secando todas as fontes de chips e memórias para construir arquiteturas baseadas em IA? Então, que usemos o mesmo remédio para combater esse mal!


