De uns meses para cá, tenho percebido um movimento deveras estranho na comunidade gamer: reclamar e xingar de tudo. Mas esse também é o esporte favorito das pessoas na internet. Porém, para mim, que acompanho os videogames desde a época do Nintendinho, acho isso um tanto exagerado. Uma coisa é reclamar de ações tomadas pelas empresas que prejudicam os jogadores; outra é fritar o dedo no teclado só porque o jogo não roda a 60 fps ou porque a protagonista é uma mulher careca.
A bola da vez é Grand Theft Auto VI e Wolverine. O jogo da Rockstar, por mais incrível que tenha sido o vídeo divulgado na Netflix, é alvo de haters porque a empresa divulgou que o game rodará a 30 fps. Motivo suficiente para os chorões abrirem o berreiro. Aí já viu: passa boi, passa boiada. As redes sociais foram inundadas com comparações esdrúxulas entre GTA VI e jogos mais antigos: “Ain, no RDR2 dá para ver a alça da arma”, ou “Ain, tá parecendo o mesmo jogo que foi lançado no PlayStation 3”.
Wolverine não fica atrás. No caso do jogo da Insomniac, o escrutínio é ainda maior. Fãs alegam que o jogo não é fiel ao personagem, que o título lançado em 2009, X-Men Origins: Wolverine, é superior e que a Jean Grey não se parece com a Jean Grey. Para piorar, os jogadores perdem a noção ao criticar a escolha da consultoria Sweet Baby Inc. para deixar o jogo mais “aceitável” para o momento atual.
Veja bem, eu também acho forçadas algumas escolhas da empresa e sou da turma que acredita que isso afeta a liberdade criativa dos desenvolvedores. Mas tenho neurônios suficientes para entender a situação. Não gostou de um personagem? Acha que o enredo é só para cumprir agenda? Odeia jogar a 30 fps? A solução é simples: passe longe do game! Tenho certeza de que a sua sanidade vai agradecer.
Se o jogo foi feito de tal maneira, é porque os desenvolvedores o quiseram assim. Mesmo que algumas escolhas possam ter sido “forçadas” para agradar a X ou Y, na maioria das vezes isso não estraga a jogatina. Zerei estes dias o belíssimo Resonance: A Plague Tale. Em certo momento do jogo, é revelado que o herói mítico Teseu é outra pessoa. Achei meio “meh”; afinal, a mitologia do personagem já está estabelecida há séculos. Mas não é por conta disso que vou criticar o jogo como um todo e xingar muito no Twitter — X, na verdade, eu sei.
Outro problema, talvez o maior de todos, são os “jogadores de YouTube”. Essa turma é dose. Não jogam nada, mas assistem a gameplays completas de diversos títulos. Aí lá vai o trollzinho com seus dedos nervosos xingar o game nas redes sociais sem sequer tê-lo experimentado. Ele se baseia em um vídeo de terceiros assistido em uma resolução porca, com a internet travando e alimentado pela opinião de quem está com o controle em mãos. Como levar uma pessoa dessas a sério? Sem contar o desprezo que o fã de uma marca tem pela rival. Mas isso é assunto para outro dia.
Seja feliz com aquilo que lhe faz bem. Não perca seu tempo xingando um game que você já sabe que não vai jogar. Não saia criticando um título que você só viu pelo YouTube. Tenho uma frase que digo aos meus filhos e que cabe muito bem aqui: se você não sabe do que está falando, não fale.


