007 First Light e a Volta dos Jogos de Ação Cinematográficos
Jogo de origem do espião inglês é cinema puro
Diferente dos heróis dos filmes de ação “brucutu” das décadas de 1980 e 1990, James Bond sempre foi um protagonista mais charmoso e sagaz do que os personagens de Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone e Bruce Willis, por exemplo. Mas, como tudo na vida segue uma evolução natural, 007 First Light joga uma nova luz (com o trocadilho, obrigado) na origem de Bond. James Bond.
Ao longo dos últimos anos, as prateleiras foram tomadas por dois tipos de jogos: os soulslike e os indies pixelados. O primeiro é para quem tem habilidade — e ainda mais paciência — para derrotar inimigos impossíveis de serem vencidos logo de cara. O segundo abrange uma infinidade de gêneros, mas todos com a mesma cara, inclusive soulslike pixelados. Nada contra, mas não fazem meu estilo.
Olhando para trás, faz total sentido essa evolução. Afinal, da mesma maneira que os jogos da era PlayStation/Xbox deram um passo além do que os consoles ofereciam no final dos anos 1980 e meados de 1990, os títulos de maior sucesso atualmente são uma evolução disso tudo. Ponto para a FromSoftware com o seu gênero Souls — e para quem mais copia a desenvolvedora — e também para empresas como Annapurna, Team Cherry e Thatgamecompany, que mostraram ao mundo que gráficos impressionantes e orçamentos estratosféricos não fazem um bom jogo. E seguimos evoluindo.
007 First Light, o novo título da IO Interactive, é o jogo ideal para quem gosta das melhores películas de ação desenfreada. Diferente dos velhos 007, que eram mais low profile, esse novo James Bond, além de astuto e charmoso, está preparado para qualquer confronto, tiroteio e perseguição. A equipe da IO optou mais pela ação dos filmes liderados por Daniel Craig do que pelos clássicos com Sean Connery e Roger Moore, nos quais as limitações técnicas da época seguravam as mãos dos diretores.
Patrick Gibson, o 007 em First Light, está impecável como James Bond. Facilmente eu assistiria a filmes com ele no papel do espião inglês. Mas para que ver apenas duas horas de filme se eu posso ser o próprio Bond em mais de 20 horas de ação ininterrupta? Se o cinema oferece a “magia da tela grande”, os jogos oferecem tudo isso, e com você no comando. Sinceramente, não existe entretenimento mais completo do que esse.
007 First Light trouxe para os videogames a origem do espião e, de quebra, criou um universo próprio para a franquia. Apesar de não oferecer novidades quando o assunto é gameplay, a IO Interactive mudou a abordagem daqueles tutoriais chatos que quebram a imersão. As fases iniciais misturam o treinamento dos recrutas com pequenos trechos de missões oficiais. Nada de longos textos explicativos ou daquelas telas pedindo para você apertar botões e testar as câmeras. 007 First Light é ação do começo ao fim.
Ação essa que pegou emprestados muitos elementos de Uncharted. O famoso “tiro de murinho” e a travessia dos cenários lembram muito o jogo da Naughty Dog, só que melhorados. Afinal, o último título de Nathan Drake foi lançado há dez anos. Outro jogo que inspirou First Light é Hitman, que não por acaso é da própria IO Interactive. Porém, diferente da franquia encabeçada pelo Agente 47, na qual tudo gira em torno dos disfarces e das infinitas possibilidades para derrotar os oponentes, 007 First Light segura a mão do jogador. Bond até usa disfarces, mas todos são oferecidos pelo MI6 de acordo com a missão. Já na hora do “vamos ver”, a IO optou menos pelo stealth e deixa o jogador livre para tentar abordagens mais diretas.
O combate mano a mano é perfeito, cadenciado e bem coreografado. O tiroteio não fica para trás. Todos os cenários possuem itens explosivos, holofotes para cegar os oponentes e caminhos diversos para seguir em frente. O level design não é dos melhores, mas cumpre o papel para um jogo single-player focado na ação, o que abre espaço para o grande atrativo da franquia 007: os gadgets. E o principal deles é o relógio.
Logo de cara, eu me lembro de GoldenEye 007 para o Nintendo 64. Pierce Brosnan como 007 já usava o relógio para se livrar de algumas situações. Na época em que foi lançado (1997), aquilo era o suprassumo da diversão. Alguém ainda fala “suprassumo”? Por muitos anos, fiquei na espera de um novo jogo do James Bond que trouxesse para os consoles toda a ação que eu assistia nos filmes. A Electronic Arts e a Activision bem que tentaram; somando os títulos lançados por ambas, foram mais de 10 jogos, mas nenhum entregou o esperado.
Ainda bem que o time da IO Interactive resolveu esse problema. James Bond é um dos heróis mais legais da literatura e do cinema e agora, com essa nova história de origem, o 007 de Patrick Gibson tem tudo para se destacar. Bond não voa, não mata deuses e muito menos viaja no tempo. Tudo o que ele precisa é de um terno bem alinhado, um relógio cheio de traquitanas e carros velozes. Com isso em mãos, ele é capaz de vencer qualquer inimigo. Quer dizer, agora, com essa nova franquia que acabou de nascer, é você quem vai controlar o destino de James Bond.





É muito bom rever uma franquia como 007 de volta nos games e pelo que foi escrito, sem duvida esta na minha fila para jogar! Matéria muito top! Obrigado mais uma vez e obrigado por tocar meu coração falando de Goldeneye do N64! Joguei horas na modo solo e muitas outras horas na telinha dividida em 4 e gritando com meus amigos no modo multiplayer! Saudosismo puuuro! Valeu Bar!